Winebusiness

Brasil bate recorde histórico de importação de vinho

Mesmo diante de um crescimento econômico menor do que o esperado e um aumento expressivo do dólar em relação ao real, o mercado brasileiro bateu um recorde histórico no volume de importação de vinhos. Segundo projeção da empresa de inteligência de mercado Ideal Consulting, especializada em bebidas e alimentos, o país fechou 2019 com um balanço de 13,2 milhões de caixas (de nove litros) de vinhos, espumantes, proseccos e champagnes trazidas do exterior.

Em 2018, o Brasil comprou de produtores estrangeiros 12,8 milhões de caixas, um aumento de 2,9%. Para se ter uma ideia, em 2014, foram importadas 8,9 milhões de caixas, o que significa um crescimento médio anual de 8,2% nos últimos cinco anos. “Se somarmos o volume importado com a venda de vinhos nacionais, temos um consumo anual per capta de 2,13 litros considerando a população maior de 18 anos: é o maior da história do país”, analisa Felipe Galtaroça, sócio-diretor da Ideal Consulting.

Apesar do recorde no volume de importação, o estudo também apontou uma queda de 2,9% do valor médio das caixas de nove litros de vinhos, caindo de 28,6 dólares em 2018 para 27,8 dólares em 2019. O preço médio dessas caixas de vinho vem sofrendo uma redução média de 5,2% ao ano desde 2014. “A variação cambial tem levado os consumidores a comprar vinhos mais baratos. O vinho de 100 reais de hoje é diferente do vinho de 100 de cinco anos atrás”, explica Galtaroça.

Maiores exportadores

A América do Sul é responsável pelo maior volume de vinhos tintos, rosés e brancos importado pelo Brasil, com 63% do total. Em seguida, vem a Europa, com mais de 35%. Nesta ordem, os principais exportadores desses vinhos para o mercado brasileiro são: Chile (46,2%), Portugal (15,9%), Argentina (14,4%), Itália (9,4%), Espanha (5%), França (4,6%), Uruguai (2,4%), África do Sul (1%) e Estados Unidos (0,4%).

Entre os espumantes, champagnes e proseccos, que representam menos de 5% do mercado, a ordem se inverte. Os países europeus respondem por cerca de 80% do total de importados, sendo Espanha, França e Itália os principais países de origem.

Uma tendência importante que se confirmou é o contínuo crescimento da importação de vinhos rosés, que passaram de 1,8% do mercado em 2014 para 5,4% em 2019. Hoje, os tintos representam 78,6% enquanto os brancos têm participação de 16%.

Para Felipe Galtaroça, as perspectivas para 2020 são boas, com novo recorde de volume de vinho importado, ainda que com nova redução do preço médio das caixas. Ele antevê crescimento do PIB, mas sem recuo do preço do dólar. “Uma boa notícia é a mudança de algumas regras tributárias (na cobrança do ICMS) em São Paulo, responsável por 36% do mercado de vinhos no Brasil, que deve favorecer empresas enquadradas no regime do Simples Nacional. Ou seja, devemos ter a volta de lojas de vinhos nos bairros e aquecimento da venda de vinhos nos restaurantes”.



Assine Nossa Newsletter

e receba novidades, promoções e convites para eventos da importadora Winebrands