Entrevistas

Os segredos da família Cotarella

Os irmãos Riccardo e Renzo Cotarella são duas lendas vivas da enologia italiana. O mais velho, Riccardo, conversou com Wine Not? e fala sobre a fascinante experiência à frente da Falesco, vinícola de ponta de propriedade de sua família, com sede no Lazio, região centro italiana, e também sobre suas consultorias mundo afora, além das tendências do mundo do vinho.

 

Por Patrícia Kozmann

Conte um pouco sobre a história da família Cotarella e seu envolvimento com o vinho nas regiões do Lazio e da Úmbria.

A família está envolvida na produção e comercialização de vinhos há seis gerações. Meu pai, Domenico, foi um dos produtores mais dedicados em Orvieto, elaborando produtos de vanguarda. Mas também a geração seguinte, as minhas filhas e os filhos de meu irmão Renzo, são envolvidos nas condições técnicas, administrativas e comerciais da Falesco, nossa linda e importante empresa familiar.

O senhor é considerado um dos melhores enólogos da Europa, prestando consultoria para várias vinícolas importantes. Quais são os principais aprendizados dessa experiência?

Colaborar com mais de 60 vinícolas pelo mundo é um meio fantástico de conhecer não somente vinhos e territórios, mas principalmente tantas pessoas com a mesma paixão, o vinho. É uma maneira rara e única de enriquecimento e experiência pessoais. Tocar com as mãos realidades heterogêneas onde a uva e o vinho representam não somente um elemento indispensável para a economia dos povos, mas também cultura e paixão.

Como pesquisador, o senhor desenvolve um longo trabalho com a uva Roscetto, desde os anos 1970. Por que a escolha? Como é a vinificação dessa rara variedade autóctone?

Roscetto é uma uva antiga, atualmente encontrada somente no norte do Lazio, precisamente na zona de Montefiascone. Ela faz parte do corte composto também pelas uvas Trebbiano e Malvasia, do branco Est!Est!!Est!!!, de Montefiascone. Empreguei dez anos de pesquisas para conhecer e apreciar a grande naturalidade desta uva. Sua melhor característica é a espessura da casca, plena de elementos que enriquecem o vinho e emprestam personalidade, estrutura e caráter. É uma uva generosa, rica em açúcares e em acidez. Resulta em vinhos complexos, minerais e estruturados, com capacidade de longo envelhecimento, algo entre 10 e 20 anos. Esta uva quer seus territórios, essencialmente vulcânicos e permeáveis, onde se expressam da melhor forma. A vinificação ocorre por ‘criomaceração’, processo muito específico e estudado especialmente para esta uva, com o objetivo de obter as melhores características da casca no mosto e, portanto, no vinho.

Quais são as tendências mundiais do mercado do vinho, e em particular sobre os vinhos italianos no mundo?

Há uma contínua evolução. Hoje o mercado solicita vinhos que expressem seu território, antes da uva em si. Portanto, devemos pesquisar terrenos onde ainda não existem as variedades que expressem o caráter de um “habitat” específico.

Em linhas gerais, o que mudou na Itália, ou na enologia italiana, nas últimas décadas? Como o senhor antevê os próximos anos da viticultura italiana?

A nossa viticultura segue em contínua evolução. Esta mutação levou os produtores a reverem suas conduções de vinhedos e de vinificação. Ao mesmo tempo, lhes permitiu também redescobrir amplos territórios, especialmente na Itália, que erroneamente era julgada como não hábil para a produção de grandes vinhos. Hoje, graças a múltiplos experimentos, o país produz inúmeros vinhos excepcionais. Podemos classificar todo o território italiano, com exceções de terrenos de grandes altitudes ou extremamente planos, como habitats ideais para o cultivo de vinhedos e produção de vinhos de grande qualidade.

 

Texto originalmente publicado por Winebrands na edição 5 da versão impressa de Wine Not?



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