Sommelierie

Cabernet Franc, macia e elegante

Uva tinta de aspecto sedoso, a Cabernet Franc selou o destino da vitivinicultura francesa ao se estabelecer na região de Bordeaux. Ali cruzou com a Sauvignon Blanc e criou as condições para o surgimento de sua majestade, a Cabernet Sauvignon. Hoje, juntamente com Merlot, Petit Verdot, Malbec e Carménère, as duas Cabernet compõem o seleto grupo de uvas permitidas nos blends bordoleses – além de também formarem a clássica tríade com a Merlot. Perto dali, no Vale do Loire, ela também se destaca por seus monovarietais.

Cabernet Franc produz tanto blends de alta qualidade como varietais bastante concorridos

A Cabernet Franc tem origem incerta. Sabe-se que é uma das mais antigas cepas de Bordeaux, mas há dúvidas se nasceu na França ou se foi levada para lá por peregrinos que voltavam de Santiago de Compostela e passaram por vinhedos no sopé da Cordilheira dos Pirineus, em território ocupado pelo povo basco, no norte da Espanha. O que é certo é que esta uva extrapolou as fronteiras do Velho Mundo e empresta equilíbrio e elegância tanto para vinhos de corte como para varietais, em todos os continentes.

A Cabernet Franc está presente em mais de 20 países. Além de resistir bem ao frio, ela produz vinhos bastante envolventes em solos com calcário, areia e argila. A França garantiu sua fama, mas países como Itália, Hungria, Estados Unidos, Canadá, Chile, Argentina e até Uruguai também produzem ótimos vinhos varietais e de corte com a Cabernet Franc. No Brasil, era a uva mais utilizada por viticultores nas décadas de 1970 e 1980.

Destaque para os Cabernet Franc de Washington State, que têm alcançado excelentes resultados, pois a uva suporta bem as temperaturas congelantes de lá. Na Itália, sobretudo na Toscana, compõe vinhos delicados e elegantes, em particular os supertoscanos. Já os vinhos com Cabernet Franc de Mendonza seguem a linha dos clássicos Saint-Émilion da margem direita de Bordeaux, com rótulos mais concentrados e maduros, superando em muitos casos o brilho da Malbec.

Franc x Sauvignon

De aromas intensos e boa estrutura, a Cabernet Franc brota de videiras vigorosas, que se adaptam bem a solos ricos em calcário. É uma planta bastante resistente, embora não seja das mais produtivas. Sua uva apresenta casca mais fina e delicada do que a Cabernet Sauvignon. É mais aromática também. Compensa o fato de ter menos corpo, teor alcóolico e taninos, com uma perfumada leveza. Além disso, a Cabernet Franc amadurece e floresce seus frutos mais cedo do que a Cabernet Sauvignon, o que é conveniente nas safras mais frias, especialmente em Bordeaux, onde são cultivadas e vinificadas juntas em muitos casos – por exemplo, no Médoc, cujo dialeto, aliás, batizou a uva.

É uma videira com cachos pequenos e bagos normalmente arredondados. Degustadores chamam a atenção para o sabor de apelo herbáceo e o aroma que remete a frutas com tons escuros, como groselha, framboesa e amora. Um rótulo varietal de Cabernet Franc sem passagem por barrica tende a ser translúcido, com cor puxando para o rubi. Fáceis de beber, os varietais de Cabernet Franc apresentam como principais características o frescor e a textura sedosa. Não por acaso, nos blends, a uva empresta maciez e aroma ao vinho, levando equilíbrio e delicadeza à bebida.

A harmonização com vinhos de Cabernet Franc também pede uma comparação com a Cabernet Sauvignon. Carnes que seriam ofuscadas pela Cabernet mais potente combinam bem com a Cabernet mais delicada. É o caso de vitela, alguns cortes de suínos, aves e caças de pequeno porte. Carnes com molhos preparados com vinho também podem funcionar. O mesmo vale para embutidos.

Com muitos outros nomes, como Achéria, Breton, Bouchet e Cabernet Gris, a Cabernet Franc, em suma, pode ser considerada a versão feminina da Cabernet Sauvignon, conferindo mais elegância, requinte e frescor aos vinhos.



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