Regiões

Chablis – Os vinhedos eternos

por Gianni Tartari

A região de Chablis está localizada no nordeste da França, ao norte da Bourgogne, ao redor da pequena cidade de Chablis e de 19 outras pequenas cidades do departamento de Yonne, a apenas 180 km de Paris. Chablis também é conhecida como a “porte d’or” da Bourgogne e se estende por 16km de comprimento e 6km de largura.

Os vinhos brancos da Bourgogne são de excelente qualidade, e mesmo em Chablis são feitos a partir de uma única variedade: Chardonnay. Eles são subdivididos em quatro denominações:

  • Petit Chablis
  • Chablis
  • Chablis Premier Cru
  • Chablis Grand Cru

Eles são identificados por zonas de produção delimitadas com precisão e estão sujeitos a rígidos regulamentos de produção. Logicamente, quanto mais alta a hierarquia, mais rígidos esses regulamentos.

Os vinhos de Chablis são vinhos brancos secos, caracterizados por sua pureza, acentuada acidez, sofisticação e mineralidade. O Chardonnay varietal fornece resultados em Chablis diferente de qualquer outro lugar. Ele extrai sua personalidade e caráter de um subsolo com 150 milhões de anos e amadurece em condições ideais, em um clima semi-continental, o que lhe permite atingir um bom equilíbrio entre os níveis de açúcar e a acidez.

Hoje, a área plantada em Chablis é de pouco mais de 5.500ha. Em 1955, após a crise da filoxera no século XIX, que devastou as vinhas da França e, em seguida, duas guerras mundiais, Chablis cobriu não mais que 550ha de videira. No entanto, nem todo o território da denominação ainda está plantado: a zona delimitada compreende 6.800ha se espalhando ao longo do vale do rio Serein, que atravessa a região vinícola de sul a norte antes de desaguar no Yonne.

Os volumes produzidos mudaram de acordo com o aumento da área cultivada, com pequenas variações devido a caprichos climáticos. Em 2017, a colheita chegou a pouco mais de 238.334hl, o equivalente a 31,7 milhões de garrafas (média de 5 anos: 2013-2017).

O decreto de 13 de Janeiro de 1938 determinou estritamente a superfície destinada aos Grands Crus: 100 hectares (apenas 2% da produção) situados na encosta que faz frente para Chablis e se subdivide em sete vinhedos. Parte histórica da região de Chablis, esse espaço representa igualmente uma real unidade geográfica e geológica. Os Grands Crus se subdividem nessa encosta entre 130 e 215 metros de altitude, majoritariamente expostos a sul e sudoeste.

CONHECENDO AS DENOMINAÇÕES
Petit Chablis

Petit Chablis Este vinho branco seco traz aromas de flores brancas (espinheiro, acácia) misturadas com notas cítricas (limão, toranja) em um fundo mineral (sílex, pederneira).

Nos dois lados do vale do rio Serein, a Appellation d’Origine Contrôlée de Petit Chablis forma um dos anéis da área de Chablis, com solos que datam da idade do Tithonian, um pouco mais recente que os das outras denominações da região. É um 100% Chardonnay, e não há nada “pequeno” em Petit Chablis.

O “terroir”

Os “terroirs” da denominação Petit Chablis estão localizados no topo da colina ou na borda do platô; eles são compostos de calcários duros, marrons ou, às vezes, solos siltosos e arenosos, geralmente entre 230 e 280 metros acima do nível do mar, com várias exposições.

Petit Chablis em números*
  • Denominação de origem controlada instituída em 1944.
  • A AOC Petit Chablis representa 18% da produção de vinhos Chablis.
  • Área em produção: 1.083 ha (1 hectare (ha) = 10.000 m²)
  • Volume de colheita: 40.498 hl (1 hectolitro (hl) = 100 litros = 133 garrafas)
  • Colheita média anual: 43.376 hl
Característica do vinho

Sob sua cor ouro é brilhante, com reflexos palha, às vezes aprimorada com reflexos esverdeados. Este vinho branco seco traz aromas de flores brancas (espinheiro, acácia) misturadas com notas cítricas (limão, toranja) em um fundo mineral (sílex, pederneira). Às vezes encontramos pêssegos, frutos de polpa branca. A boca é viva e leve, equilibrada em acidez. Essas primeiras sensações entusiasmas continuam com uma elegância amável. Seu toque iodado é típico da região. Sua untuosidade combina com seu frescor para dar uma sensação persistente ao paladar. É ótimo quando degustado jovem, porém ganha muito com dois anos em garrafa.

Chablis

A denominação aldeia de Chablis é produzida nas comunas de Beines, Béru, Chablis, Fyé, Milly, Poinchy, La Chapelle-Vaupelteigne, Chemilly-sur-Serein, Chichée, Collan, Courgis, Fleys, Fontenay-Près-Chablis, Lignorelles, Ligny-le-Châtel, Maligny, Poilly-sur-Serein, Préhy, Villy e Viviers.

Localizada perto de Auxerre, no departamento de Yonne, a região vinícola de Chablis corre ao longo de um pequeno rio com o nome suave de Serein. Os monges cistercienses da Abadia de Pontigny fizeram muito para desenvolver as vinhas a partir do século XII.

O “terroir”

O nome “Chablis” é usurpado em todo o mundo por vinhos que não têm o direito de usá-lo. Existe apenas um verdadeiro Chablis e ele vem de Bourgogne!

Nenhuma outra região vinícola francesa afirmou tal fé na geologia. O alicerce principal vem da época jurássica, ou mais precisamente da era Kimmeridgeana (150 milhões de anos atrás). Depósitos de ostras minúsculas podem ser encontrados na rocha, que foi deixada pelo mar quente e raso que outrora cobria esse território. Essas criaturas tinham a forma de uma vírgula, que dá origem ao seu nome: Exogyra virgula.

Chablis em números*
  • Denominação de Origem Controlada criada em 1938
  • A denominação Chablis representa 66% dos vinhos Chablis
  • Área de produção: 3.630 ha (1 hectare = 10.000 m²)
  • Colheita: 162.331 hl (1 hectolitro = 100 litros ou 133 garrafas)
  • Colheita média anual entre 2013 e 2017: 156.101hl
Característica do vinho

Com uma tonalidade clara de palha dourada ou ouro esverdeado, este vinho branco tem um nariz muito fresco, brilhante e mineral; pode-se encontrar sílex, maçãs verdes e limão, com notas de vegetação rasteira e cogumelos. Outros aromas incluem tília, hortelã e acácia, além de alcaçuz e feno recém-cortado. O envelhecimento torna o vinho mais dourado e tende a trazer notas de especiarias. Na boca, os aromas persistem por muito tempo, graças à sua nitidez e pureza. Seco e maravilhosamente sofisticado, Chablis tem uma personalidade única e é facilmente identificável.

Chablis Premier Cru

Esta denominação é produzida nas comunas de Beines, Chablis, La Chapelle-Vaupelteigne, Chichée, Courgis, Fleys, Fontenay-Près-Chablis, Fyé, Maligny, Milly e Poinchy. Hoje, 40 Climats podem ser associados ao rótulo Chablis Premier Cru, incluindo 17 principais climats: Mont de Milieu, Montée de Tonnerre, Fourchaume, Vaillons, Montmains, Côte de Léchet, Beauroy, Vaucopin, Vosgros, Vau de Vey, Vau Ligneau, Les Beauregards, Les Fourneaux, Côte de Vaubarousse, Berdiot, Côte de Jouan e Chaume de Talvat.

Característica do vinho

De grande limpidez, frescor, leveza e intensidade aromática. Seus aromas e sabores se desenvolvem rapidamente o que nos permite degusta-lo logo após um ou dois anos de garrafa a temperatura de 12ºC. O Chablis Premier Cru, elegante e de raça, apresenta um leque aromático de grande diversidade, composto na sua essência por frutas frescas, flores brancas e frutos secos. Pronto para beber logo após 2 ou 3 anos da sua safra, podendo envelhecer mais. Temperatura de serviço entre 12º e 14º C.

Terroir

Quanto a Chablis, o principal fundamento data da era jurássica, ou mais precisamente 150 milhões de anos atrás. Uma particularidade relativa ao Chablis Premier Cru é que os climats estão espalhados entre as margens direita e esquerda do rio Serein, um afluente do rio Yonne que flui pela região de sul a norte.

Chablis Premier Cru em números*
  • Denominação d´Origine Contrôlée criada em 1938
  • A denominação Chablis Premier Cru representa 15% dos vinhos Chablis
  • Área de produção: 779 ha (1 hectare = 10.000 m²)
  • Colheita: 33.052 hl (1 hectolitro = 100 litros ou 133 garrafas)
  • Colheita média anual entre 2013 e 2017: 35.006 hl
Chablis Grand Cru

Chardonnay, a responsável por trazer aromas e sabores do solo de Chablis.

A denominação Chablis Grand Cru compreende sete climats: Blanchot, Bougros, Les Clos, Grenouilles, Preuses, Valmur e Vaudésir.

O Chablis Grand Cru pode ser encontrado na comuna de Chablis e na margem direita do Serein, o pequeno rio que atravessa a região a nordeste da vila, e está a uma altitude entre 100 e 250 metros. Desfrutando de uma excelente localização ensolarada, a denominação Chablis Grand Cru é única. Está espalhada por sete climats, cujos nomes figuram nos rótulos, cada um com um caráter distinto, pois o Chardonnay demonstra suas variações maravilhosas.

Terroir

Os terroirs, formados na era do Jurássico Superior, há 150 milhões de anos, são compostos de calcário e marga com Exogyra virgula, pequenos fósseis de ostras. O Chablis Grand Cru é um dos raros vinhos franceses de AOC a fazer referência à sua geologia, especialmente a era Kimmeridgeana.

Característica do vinho

Apresenta aromas potentes e distintos com grande complexidade de notas dominadas por flor de acácia, quando jovem, e de nozes, amêndoas grelhadas e mel quando envelhecido. À boca é vigoroso, cheio e encorpado com uma maciez e persistência aromática intensa excepcional. O Chablis Grand Cru só começa a revelar todo seu potencial após 3 ou 4 anos da sua safra e precisa de vários anos de envelhecimento para atingir seu auge. Temperatura de serviço entre 12º e 14ºC.

Chablis Grand Cru em números*
  • Denominação d´Origine Contrôlée criada em 1938
  • A denominação Chablis Grand Cru representa 1%* dos vinhos Chablis
  • Área de produção: 101 ha (1 hectare = 10.000 m²)
  • Colheita: 2.993 hl (1 hectolitro = 100 litros ou 133 garrafas)
  • Colheita média anual entre 2013 e 2017: 3.824 hl

Além dos sete “climats” citados acima, o nome “La Moutonne” é utilizado para um vinhedo de apenas 2,35 ha, localizado entre os vinhedos “Les Preuses” e “Vaudésir”, o que o torna um Grand Cru.

O “Moutonne” é um nome que já se aplicava sob o antigo regime a um vinhedo localizado na encosta de “Vaudésirs” (um dos sete Grands Crus de Chablis). Este lote, de propriedade dos monges da Abadia de Pontigny até então, é vendido em 1791 a Simon Depaquit, ex-promotor da abadia.

Em 1868, o Dr. Guyot menciona o vinhedo “Moutonne” entre os melhores vinhos de Chablis. Em 1904, Rousseau e Chappaz também citam o “Moutonne” antes dos “Vaudésirs”, “les Clos” e “Grenouilles”…

Grand Cru Moutonne, o mais emblemático dos vinhos do Domaine Long-Depaquit.

O “Moutonne” ganhou grande notoriedade durante o século XIX, graças a Benjamin Depaquit (corretor juramentado na Place de Bercy de 1824 a 1869). O Sr. Long Depaquit usa “Chablis Moutonne” como denominação original e como marca comercial, mas de acordo com a jurisprudência e uso, “Moutonne” não é uma marca, mas um “cru” (vinhedo).

Para encerrar esses poucos abusos de uso, foi assinado um acordo em 18 de outubro de 1950, conjuntamente por Sr. Long Depaquit e o Sindicato Vitícola de Chablis, na presença do Serviço de Repressão à Fraude. Em 21 de julho de 1951, o INAO (Institut National des Appellations d’Origine) considera que o acordo firmado é absolutamente válido.

Hoje, é a família Bichot é atual proprietária do Domaine Long-Depaquit e distribui os vinhos da propriedade, incluindo o “Moutonne”. Desde 2018, a produção dos vinhos é realizada sob a direção de Cécilia Trimaille, que sucede a Matthieu Mangenot (gerente do Domaine de 2007 a 2017).

“La Moutonne” é um terreno de 2,35 ha, abrigado em um anfiteatro natural no coração de dois “Grands Crus”: 95% em “Vaudésir” e 5% em “Preuses”. Sua forma e sua localização ideal faz dele um verdadeiro receptor solar natural. Exposto a sul-sudeste, sua inclinação acentuada na parte central (quase 40%) protege a parcela dos ventos do norte. Promove também afloramento, sobre um solo argilo-calcário, de um estágio geológico característico da época secundária, conhecido como Kimmeridgian. Este último é caracterizado pela presença de calcário contendo fósseis de uma pequena ostra em forma de vírgula (Ostrea Virgula).

 

* dados de 2017



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