Sommelierie

Chardonnay, a reputação a precede

A Chardonnay é uma uva de grande reputação. Produz brancos intensos, ricos em aromas. É certamente uma das castas mais cultivadas hoje no mundo. Seu berço como uva vinífera não poderia ser mais nobre, a Borgonha, no leste da França.

Pelo que se conta, uma comuna chamada Chardonnay, no norte do distrito de Mâconnais, serviu de inspiração para batizá-la. Mas o surgimento desta cepa é controverso. Remonta a um período entre o declínio do Império Romano e o início da Idade Média, não se sabe ao certo se no Oriente Médio ou na Europa Ocidental. A tese mais aceita é a de que nasceu do cruzamento das uvas Pinot Blanc e Gouais, na França.

Teorias à parte, o fato é que o início do uso da Chardonnay para produção de vinhos aconteceu bem depois nas vinícolas de Borgonha. Mais recentemente, ela ganhou fama depois que os norte-americanos da Califórnia a estamparam em seus rótulos e surpreenderam o mundo com excelentes brancos varietais (produzidos de uma única cepa), tendo como auge o Julgamento de Paris.

Sua reputação, porém, também vem da presença dela em alguns clássicos do Velho Mundo, como é o caso dos Champagne e dos excepcionais brancos de Chablis, além de ótimos rótulos da Puglia, na Itália.

No Novo Mundo, além dos Estados Unidos, a Chardonnay tem forte presença hoje em países como Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Canadá. Na América do Sul, o Chile, a Argentina e até o Brasil também produzem varietais da cepa. Os Chardonnay de Mendoza estão entre os mais cultuados da região.

Rainha das brancas

A grande difusão da Chardonnay é resultado em boa parte de sua capacidade de se adaptar bem a diferentes terroir. Na prática, pode ser considerada uma uva um tanto “camaleônica”, por assim dizer, que reflete terroirs e as técnicas empregadas na sua vinificação, com alto potencial para ser trabalhada por enólogos.

Ainda assim, solos como o de Borgonha, ricos em calcário e argila, tendem a ser mais propícios para esta genuína “rainha das brancas”. O clima também tem influência no resultado dos vinhos também. Em Chablis, por exemplo, o frio costuma contribuir para a produção de brancos de corpo médio e boa acidez enquanto o clima brando de outras localidades tende a gerar bebidas mais cítricas. Já em regiões quentes, os vinhos feitos com a Chardonnay ganham em teor alcóolico e perdem acidez, além de apresentarem mais corpo.

A Chardonnay também aceita bem diferentes processos de vinificação, seja na fermentação, maceração ou passagem por carvalho. Uma das mais tradicionais é a bâtonnage (leia mais aqui), que garante complexidade ao vinho, como acontece com grandes brancos da Borgonha.

Sua casca é fina e tem coloração entre o verde e o amarelado. Trata-se de uma uva delicada, que muitas vezes exige processos mais artesanais de vinificação. Produz vinhos que tendem para o amarelo ouro, com aspecto um tanto viscoso, como se nota na maneira mais lenta como escorre na superfície da taça. Um aspecto muito característico de grandes vinhos produzido com Chardonnay é o amanteigado, ou lácteo, derivado da fermentação malolática (que retira acidez do vinho) devido ao uso de barricas.

Os cachos de Chardonnay costumam disputar nutrientes com a copa de sua videira. Por isso, a poda é um processo importante na produção desta cepa, que pode ter um rendimento mais ou menos alto, depende do que se pretende. Trata-se de uma uva de amadurecimento precoce, o que lhe permite se desenvolver em vinícolas com curto período de crescimento.



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