Regiões

No Coração da Toscana

por Gianni Tartari

O vinho Chianti é um invento da natureza e da cultura da região italiana mais conhecida e amada em todo o mundo. As belezas, a história, as sensações e os sabores únicos da Toscana são encontrados neste vinho que é um dos primeiros símbolos do “made in Italy”.

Voltando no tempo, a procura das origens do vinho Chianti DOCG, não podemos deixar de destacar como o grande desenvolvimento da viticultura na Toscana teve lugar com o advento da família Médici.

Já na segunda metade de 1400, Lorenzo dei Médici, no Simpósio e na Canzone di Bacco (Canto de Baco), ilustra um ambiente folclórico, onde o vinho é a essência de um teatro de ditos espirituosos e placidez, no limite do grotesco. Portanto, para os Médici, que já eram mercadores e banqueiros, além de ter sido um bem e uma dádiva, o vinho também foi alimento, mercadoria e símbolo. Diz-se que desde os tempos do duro e sagaz Cosimo, “o Velho”, o vinho preferido na casa dos Médici era o produzido na região do Chianti. Além dos vinhos provenientes destas áreas, também se bebiam, primeiramente no Palácio de Via Larga, depois no Palazzo Pitti e sempre nas vilas dos Médici no campo, vinhos Schiavo, Vernaccia, Moscatello, Greco, Malvasia, o Ribolla e o “vin cotto”.

É estreito o elo que liga a dinastia Médici com a ciência enológica ou, mais simplesmente, com o vinho. Não foi nenhuma coincidência que no século XVI, com a reconstrução do Palazzo Vecchio do século XIII, em homenagem aos Médici, as colunas tenham sido adornadas com folhas de videira, ramos e cachos de uvas, as quais ainda podem ser admiradas no pátio do palácio.

Os Médici foram senhores de Firenze, das áreas de campo e, a partir do século XVI, foram os grão-duques da Toscana.

É natural, então, que um dos produtos mais renomados da região se tornasse aspecto de interesse para o mundo da política. Porém, o vinho também marcou a alegria, o luxo, o desejo de embriaguez e esquecimento que muitos Médici, e Lorenzo principalmente, cultivaram, não sem uma veia secreta de melancolia.

Muitas disputas voltaram-se para determinar a idade do Chianti, incluindo a do significado do nome: para alguns significa “bater de asas” ou “brado e sons de chifres”, ou mais simplesmente a extensão topográfica da palavra etrusca “Clante”, nome pessoal, frequente na onomástica daquele povo, dos quais foram encontrados vestígios em determinados registros do século XIV. Lamberto Paronetto, em um de seus livros, menciona o uso em um ato de doação de 790 pertencente à Abadia de San Bartolomeo a Ripoli. A partir do ato de doação se passa, com um salto de vários séculos, aos documentos do arquivo Datini (1383-1410) de Prato, onde também é usado, pela primeira vez, o termo “Chianti” para designar um tipo especial de vinho. No entanto, uma das citações remotas e seguras da palavra “Chianti”, referidas ao vinho, é assumida como sendo a que apareceu na representação sagrada de Sant’Antonio no fim do século XV.

No entanto, apesar das raras aparições da palavra entre os séculos XV e XVI, a denominação atual deste vinho permanecerá durante um longo período de tempo referida ao nome de “vermiglio” (vermelho) ou o de “vino di Firenze” (vinho de Florença). Somente no século XVII, com a intensificação da comercialização e exportações, o nome da região será universalmente reconhecido também para o célebre produto desta região.

Em setembro de 1716, os “ilustres senhores deputados da nova congregação sobre o comércio do vinho” fixaram os termos do comércio dentro e fora “dos territórios de Sua Alteza Real”, formulando, involuntariamente, a primeira especificação propriamente dita do “Chianti” e dos outros vinhos, até então conhecidos, destinados no futuro a fundir-se em sua denominação.

O edital afixado “nos locais habituais e incomuns” de Florença regulamentava além da área original do Chianti, também a área do Carmignano, Pomino e Valdarno di Sopra. O edital grão-ducal, entre outras coisas, impunha penalidades severas para todos os casos de falsificação e tráfico ilegal, antecipando a disciplina para os locais de origem, prelúdio para a atualmente denominação controlada e garantida. Na época, os ilustres controladores escreveram: “todos os vinhos que não serão produzidos e elaborados nas regiões demarcadas, não podem, nem devem, sob qualquer pretexto ou circunstância, ser comercializados por meio de navegação como vinho Chianti, Pomino, Carmignano e Val d’Arno di Sopra, sob as penalidades contidas no edital exposto”.

O edital era claro: “É de interesse de sua Alteza Real, o Sereníssimo Grão-Duque da Toscana, nosso senhor, que se mantenha o antigo crédito de qualquer tipo de mercadoria que saia dos seus exultantes estados, não só para a dignidade da nação que sempre manteve uma fé pública intacta, mas também para cooperar para o bem de seus amados súditos ….”

Decidiu-se, portanto, em ordenar a criação de uma congregação especial, com o intuito de assegurar que os vinhos da Toscana classificados para a exportação via navegação, fossem fornecidos com uma garantia para uma melhor segurança de sua qualidade: “…criminalmente contra os transportadores, os barqueiros e outros que viessem a manipular estes vinhos para as fraudes até a entrega nos armazéns do comprador estrangeiro ou diretamente para as embarcações e dependendo do dano causado relativamente ao benefício público”.

Até então chegar à intuição do Barão Bettino Ricasoli, com a definição da base ampelográfica do vinho Chianti e a introdução de técnicas de vinificação especiais, como a do “governo”, utilizando uvas “colorino”, previamente secas em esteiras de vime. A prática do “governo” confere ao vinho um maior teor de glicerina resultando numa “bebida” mais redonda, tornando-o adequado para acompanhar os pratos típicos da Toscana, como salames, carne assada, carne grelhada, etc.

Em 1870, Ricasoli escrevia ao professor Studiati da Universidade de Pisa: “o vinho recebe da uva Sangiovese a dose principal de seu aroma e certo vigor de sensação; da Canaiolo a suavidade que tempera o sabor forte da Sangiovese, sem tirar nada de seu aroma, mas também mantendo o seu; a Malvasia tende a diluir o produto das duas primeiras uvas, aprimora o sabor e torna-o mais leve e mais prontamente atraente para o uso diário das famílias”.

O Chianti DOCG é atualmente um vinho de cor vermelho rubi vívido, tendendo a granada com o envelhecimento. De sabor harmonioso, seco, sápido, ligeiramente tânico, de aroma intensamente vínico, por vezes com notas de violetas. O Chianti pode ser consumido, dependendo do seu tipo, como vinho jovem, fresco e agradável ao paladar, mas é igualmente conhecido, em algumas regiões, por sua vocação para um envelhecimento médio e longo, pelo que matura cor, aroma e sabor inconfundíveis. Além disso, a pisa na vinha de forma delicada, a fermentação na temperatura certa, a evolução em espécies de madeira de prestígio, o refinamento em garrafa de vidro, agregam personalidade ao vinho: mais agradável e redondo no sabor, mais complexo nos aromas, mais intenso na cor.

Na vasta área de produção do Chianti estão presentes, há séculos, as mesmas variedades de uvas: Sangiovese em primeiro lugar, para a qual podem ser adicionadas, em menor medida, também outras, mas sempre cultivadas na região.

A combinação de castas e o caráter, o corpo e os aromas que os solos, altitudes e diferentes microclimas transmitem para as uvas, dão vida ao vinho Chianti com Denominação de Origem Controlada e Garantida.

A Toscana é a terra do vinho Chianti: Arezzo, Florença, Pisa, Pistoia, Prato e Siena são províncias que representam os locais de excelência de produção, cujos solos cultivados com vinhas destinadas à produção de vinho Chianti são delimitados pelo regulamento de produção e pela lei. Este ambiente único, atravessado por suaves colinas com enormes socalcos, por vales e rios, oferece vinhedos finos, símbolo da paisagem toscana. Hoje, as antigas adegas tornaram-se arquiteturas a serem visitadas e locais de turismo e degustação. O vinho deve ser elaborado com um mínimo de 70% de Sangiovese e outras uvas complementares como Canaiolo, Colorino, Malvasia Toscana e Trebbiano.

 

Chianti Classico DOCG Perano

AS DENOMINAÇÕES DO CHIANTI

Chianti

Colli Aretini (Arezzo)

Colli Fiorentini (Firenze)

Colli Senesi (Siena)

Colli Pisane (Pisa)

Montalbano (Prato)

Montespertoli (Próximo A Firenze)

Rufina (A mais famosa, mas uma das menores)

O Consorzio Vino Chianti tem assegurado a sua qualidade desde 1927.

 

CHIANTI CLASSICO

As capitais do Chianti Classico são as cidades de Florença e Siena e suas terras se estendem entre as duas províncias: são 70.000 hectares que incluem totalmente os municípios de Castellina in Chianti, Gaiole in Chianti, Greve in Chianti , Radda in Chianti e em parte as de Barberino Tavarnelle, Castelnuovo Berardenga, Poggibonsi e San Casciano em Val di Pesa.

As características do clima, o solo e as diferentes altitudes fazem da região de Chianti Classico uma região adequada para a produção de vinhos de qualidade.

De fato, uma característica da paisagem agrícola do Chianti Classico são as fileiras de vinhas que se alternam com as oliveiras. Os mais de 7.200 hectares de vinhedos registrados como D.O.C.G. para a produção de Chianti Classico, fazem desta denominação uma das mais importantes da Itália.

Chianti Rúfina DOCG Nipozzano

Há muito que existe uma confusão idiomática-geográfica entre dois DOCGs diferentes: Chianti Classico e Chianti. Se, de fato, os dois termos “Chianti Classico” e “Chianti” coexistem no campo enológico, de um ponto de vista histórico-geográfico, apenas o termo “Chianti” existe.

Para o consumidor, mas também para os especialistas, a fronteira entre essas duas áreas é perdida e o resultado é que, com frequência, o sufixo “Classico” é omitido. Na realidade, esse sufixo é realmente importante, porque distingue o vinho Chianti Classico do vinho Chianti: dois DOCGs diferentes, com uma especificação diferente, uma área de produção e um consórcio de proteção diferente.

 

Foi assim que, em 1924, seus produtores fundaram o “Consórcio para a defesa do vinho típico de Chianti e sua marca de origem” para proteger sua produção. O símbolo escolhido imediatamente foi o Galo Negro, o emblema histórico da antiga Liga Militar de Chianti, reproduzido entre outras coisas pelo pintor Giorgio Vasari em sua “Alegoria de Chianti”, no teto do “Salone dei Cinquecento” do Palazzo Vecchio, em Florença.

Chianti Classico Riserva DOCG Perano

Em 1932, através de um decreto ministerial específico, o sufixo “Classico” foi adicionado para distinguir os Chianti produzidos na área de origem. Desde então, o vinho Chianti é produzido fora da área geográfica chamada “Chianti” (em várias áreas frequentemente adicionadas ao nome, conforme visto acima, enquanto Chianti Classico é o vinho produzido na área de origem chamada “Chianti”.

Os vinhos são produzidos com o mínimo de 80% da uva Sangiovese, devendo ser complementado exclusivamente com uvas tintas como Canaiolo, Colorino, Merlot ou Caberner Sauvignon. A produção é dividida em três categorias distintas:

 

Annata – Chianti Classico elaborado todo ano;

 

Riserva – com envelhecimento mínimo de 24 meses, dos quais pelo menos 3 meses em garrafa antes de ser comercializado;

 

Gran Selezione – feito seguindo o conceito de Single Vineyard, uma seleção das melhores uvas dos vinhedos mais antigos da propriedade. O envelhecimento mínimo é de 30 meses, dos quais ao menos 3 meses em garrafa antes de ser comercializado.



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