Regiões

O Piemonte e seus segredos

Por Gianni Tartari

Olhando o mapa da Itália, o Piemonte está localizado na parte setentrional esquerda, ao ocidente. Faz fronteira ao sul com a Ligúria, ao norte com o Val d’Aosta e a Suíça, ao oeste com a França e ao leste com a Lombardia.

O seu nome, de origem latina (Pedemontes), significa “terra que fica aos pés das montanhas” e, de fato, os Alpes e os Appeninos Ligures o cercam, deixando livre só a parte oriental, início da fértil planície Padana, cortada pelo rio Pó e por seus afluentes.

Importante província sob o domínio de Roma (que submeteu as populações de origem gaulesa que a habitavam desde a pré-história, após a queda do Império Romano), foi conquistada pelos longobardos, pelos francos e, depois do período feudal, pelos savoia, que elegeram Turim como capital do território, cidade que, depois das Guerras de Independência, foi a primeira capital da Itália.

O Piemonte é dividido em oito províncias, cujas capitais são as cidades de Turim, Alessandria, Asti, Biella, Cuneo, Novara, Verbania e Vercelli. Uma das regiões mais ricas do país, tem entre suas principais atividades agricultura, vitivinicultura, criação de gado, artesanato, indústria e turismo.

São de grande importância para a economia do Piemonte o cultivo do arroz nas províncias de Novara e Vercelli, a viticultura presente em todas as províncias (em particular naquelas de Cúneo, Asti e Alessandria), a indústria automobilística (lá é sede da Fiat) com toda a cadeia que a serve (sobretudo em Turim) e o turismo na zona montanhosa e no Lago Maggiore.

A videira e o vinho

Todas as províncias são envolvidas com o cultivo da videira e a produção do vinho. As serras ocupam cerca de um terço a superfície da região e se adaptam esplendidamente a esse cultivo. O Monferrato (Asti e Alessandria) e o Tortonese (Tortona, Gavi, Ovada), as Langhe e o Monregalese (Alba, Bra, Cuneo), o Canavese (Carema e Caluso), as terras perto das cidades de Vercelli e Novara (Gattinara, Fara, Sizzano e Ghemme), as colinas no território de Turim (Saluzzo, Chieri) são as zonas onde nascem verdadeiras joias da enologia italiana.

Os vinhedos piemonteses são plantados em colinas de altitude compreendida entre duzentos e cinquenta e quinhentos metros. As uvas mais cultivadas são:

  • Tintas: Nebbiolo, Dolcetto, Barbera, Grignolino, Freisa, Bonarda e Malvasia Nera;
  • Brancas: Moscato, Cortese, Erbaluce, Arneis, Favorita e Chardonnay.

Em menor quantidade, também encontramos:

  • Tintas: Vespolina, Croatina, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Gamay, Malbec, Pinot Noir, Pelaverga Piccolo, Doux d’Henry, Quagliano, Avaná, Avarengo e Ruché;
  • Brancas: Pinot Bianco, Pinot Grigio e Sauvignon Blanc.

As Denominações de Origem

Hoje, o Piemonte possui 44 áreas com Denominação de Origem Controlada (D.O.C.) e 18 com Denominação de Origem Controlada e Garantida (D.O.C.G.). Trata-se de uma das regiões mais representativas da produção vinícola italiana de qualidade.

As mais famosas DOC

DOLCETTO: famosíssimo vinho “para todos os dias” produzidos com a homônima uva em sete diferentes zonas que dão origem a sete denominações diferentes: Dolcetto D’acqui, D’Alba, D’Asti, delle Langhe Monregalesi, di Diano D’Alba, di Dogliani e di Ovada. Vinhos frutados, de médio corpo, ligeiramente tânicos e muito agradáveis, ótimos com a cozinha de todos os dias, das sopas de verduras às omeletes, dos típicos “antipasti” (entradas) aos queijos frescos ou pouco curados.

BARBERA: talvez a uva mais cultivada e entre as mais típicas, que produz vinhos generosos, de boa acidez, corpo e personalidade, com aromas intensos de frutas e flores, às vezes elegantes e outras mais rústicas, mas sempre agradáveis. São três as DOC: Barbera d’Asti, Barbera d’Alba e Barbera del Monferrato, mas podemos apreciá-lo também nas denominações de menor importância, como Pinerolese, Piemonte, Colli Tortonesi, Colline Novaresi e no Gabiano DOC (90% Barbera, 10% Freisa e/ou Grignolino), Rubino di Cantavenna DOC (mínimo de 75% Barbera e máximo de 25% de Grignolino e/ou Freisa). Nos últimos anos, desfrutando a versatilidade da uva Barbera, os seus dotes de estrutura e riqueza organoléptica, em pureza ou em conjunto com Nebbiolo, Freisa ou Cabernet Sauvignon, a moderna enologia piemontesa, mediante o sábio uso do carvalho francês (barrique) tem produzido verdadeiras obras-primas, que nem sempre podem (ou querem) se enfeitar com a denominação de origem.

NEBBIOLO: o “pai” de muitos grandes vinhos tem uma denominação de origem que defende a produção na zona limítrofe à cidade de Alba. Menos estruturado que os seus “filhos” mais ilustres, tem aromas frutados e florais, bom tanino e discreta acidez, generosidade de álcool e bom corpo, características ideais para combiná-lo com carnes grelhadas ou assadas, caça de pena, queijos mediamente sazonados. Pode também ser        espumante e doce, mas, com certeza, esta não é sua melhor versão.

MONFERRATO: A região vinícola de Monferrato fica abaixo do rio Po, no canto sudeste do Piemonte, no noroeste da Itália. Como Langhe, esta zona recebeu seu próprio DOC em 1994. Ela segue regras relaxadas semelhantes, permitindo a mistura de variedades nativas com uvas internacionais. Estes vinhos são vendidos sob os rótulos Monferrato Rosso e Monferrato Bianco.

Também são produzidos vinhos varietais e devem compreender 85% da variedade declarada. Os tintos são dominados pelas castas Barbera, Freisa, Grignolino e Dolcetto. As variedades “internacionais” são lideradas por Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir.

As vinhas ondulantes de Monferrato

Em termos de uvas brancas da região, Cortese é a variedade mais utilizada. As populares importações francesas Chardonnay e Sauvignon Blanc seguem logo atrás. A zona de produção abrange as províncias de Asti e Alessandria. A região é dividida pelo rio Tanaro. A parte norte é conhecida como Basso Monferrato e apresenta planícies e colinas. Ao sul do rio fica o Alto Monferrato, que sobe na cadeia montanhosa dos Apeninos. Grande parte do terroir aqui é ideal para a viticultura, graças ao clima continental e à drenagem livre de solos ricos em turfa. Esse tipo de solo é perfeito para a produção de vinhos de alta qualidade a partir de variedades como Grignolino e Barbera. Ambos têm a combinação clássica italiana de frutas frescas e picantes e um equilíbrio de açúcar e acidez. A área é rica em história, tanto em vinificação (muitas propriedades datam do século XIX) como em termos gerais. Possui numerosos castelos, igrejas e aldeias medievais. Em 2014, foi declarado Patrimônio Mundial da UNESCO.

Monferrato Rosso Doc Futurosso Marchesi Incisa Della Rocchetta

 

As mais famosas DOCG

 

ASTI SPUMANTE ou ASTI: produzido com uvas Moscato, é o vinho espumante italiano mais conhecido no mundo. Seiscentos mil hectolitros (cerca de 80 milhões de garrafas) produzidos todos os anos são uma realidade de inegável sucesso para este vinho, símbolo de festa. MOSCATO D’ASTI também é uma DOCG, porém é frisante, com somente 5,5 graus de álcool. Grande vinho para sobremesas, levíssimo de álcool, com discreta acidez e grande intensidade e persistência aromática.

 

ARNEIS: variedade de uva redescoberta nos últimos anos e vinho que encontramos na DOC Langhe e DOCG Roero. Bonita cor amarelo palha mais ou menos intensa, aromas de ervas e florais bastante frescos de acidez, razoavelmente macio, bom corpo e teor de álcool. É um vinho para acompanhar peixes de rio ou de mar, carnes brancas, sopas e omeletes com verduras, queijos frescos e doces.

BARBARESCO: um dos maiores e mais elegantes vinhos da Itália, produzido com uvas Nebbiolo das variedades Michet, Lampia e Rosé, na zona a oriente de Alba. Os principais vilarejos de produção são: Barbaresco, Treiso e Neive. À mesa, casa-se magnificamente com pratos de carnes vermelhas, caça e queijos curados. O Barbaresco, depois de um envelhecimento de 48 meses, pode se vangloriar da menção “riserva”.

 

BAROLO: o “rei dos vinhos, o vinho dos reis” é a qualificação que desde sempre acompanha este vinho produzido com uvas Nebbiolo das três variedades, sem dúvida entre os melhores vinhos do mundo. Verduno, La Morra, Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba, Monforte d’Alba, Grinzane Cavour, Novello e Barolo são as zonas de produção que dão vinhos com características diferentes, mas sempre de altíssima qualidade. Caça de pelo ou de pena, carnes vermelhas cozidas no vinho, queijos importantes e curados, são os casamentos ideais.

Barolo Dallalto DOCG 2015 Marchesi Incisa Della Rocchetta

Difícil errar quando se escolhe um rótulo do Piemonte, uma terra de características incomparáveis quando o assunto é vinho. Além de legítimos clássicos da viniviticultura italiana, deu vida a rótulos menos famosos, mas que levam a identidade e a excelência de um terroir de sangue real.

 



Assine Nossa Newsletter

e receba novidades, promoções e convites para eventos da importadora Winebrands