Enologia

Os encantos dos Vinos de Pago

Por José Eduardo Barboza

Para falar sobre os Vinos de Pago, é preciso compreender as classificações de vinhos usadas na Espanha. Provavelmente você já deve ter lido ou ouvido falar nestas: Crianza, Reserva e Gran Reserva. Devidamente regulamentada pela legislação espanhola, lá estes vinhos têm definição clara para o período de estágio em madeira e liberação para venda. Sendo mais preciso, a classificação dos vinhos espanhóis segue uma estrutura fiel às regras da comunidade europeia, e descrição com escala de qualidade e origem:

A ESPANHA E SUA CLASSIFICAÇÃO DE VINHOS

DOP – Denominación de Origen Protegida

Categoria mais exigente e restritiva para os produtores, define, entre outras, as uvas permitidas, método de vinificação, produtividade por hectare etc. Nesta categoria, podem ter a seguintes classificações:

  • Vinos de Calidade con Indicación Geografica;
  • Denominación de Origen (DO), hoje existem 70 regiões com essa classificação;
  • Denominación de Origen Calificada (DOCa);
  • Vino de Pago
  • Vino de Pago Calificado

IGP – Indicación de Origen Protegida

Categoria exigente, garante ao consumidor a origem especifica de uma região vitivinícola.

  • Vino de La Tierra

Vino

Categoria mais flexível e simples, garante apenas que o vinho foi produzido em território espanhol.

  • Sem indicação geográfica

Vino de Pago

Caliza

AAA

Emeritus

Vino de Pago é a mais alta classificação de vinhos espanhóis. Para ostentar tal Denominação de Origem, o vinho precisa ser produzido em uma propriedade específica e de extensão delimitada, que possua características de solo e microclima diferenciados e produza resultado de altíssima qualidade com singularidade. Além disso, é necessário que a adega esteja dentro da propriedade para produção exclusiva dos vinhos daquele Pago.

Pertencem a essa categoria diverso vinhos, como Dominio de Valdepusa, Dehesa del Carrizal, Finca Élez, Pago Guijoso, Pago de Arinzano, Prado de Irache, Campo de La Guardia, Casa del Blanco, Pago Florentino, Pago de Otazu, Pago de Chozas Carrascal, Pago de Aylés, Los Balagueses, Pago Calzadilla, El Terrerazo (de Bodegas Mustiguillo), Vera de Estenas, La Finca Bolandin.

A denominação Vino de Pago, inaugurada por Marques de Griñon em seu Domínio de Valdepuza, nasceu como reconhecimento da qualidade extrema de vinhos que não seguiam às regras locais de sua D.O. e, consequentemente, eram rotulados na categoria de classificação geográfica mais básica, a IGP.

Vino de Pago foi, então, um reconhecimento oficial dado aos vinhos inovadores de Marques de Griñon paralelo à aclamação popular dos “Supertoscanos” italianos.

Para conquistar a Categoria Vino de Pago Calificado, a bodega precisa atender a todas as exigências já citadas e também estar dentro de uma DOCa (Rioja e Priorat).

Tempo de envelhecimento

Como citado antes, a legislação espanhola regulamenta o período e o tipo de envelhecimento de cada categoria, como segue:

  • Joven – sem passagem por carvalho, ou até 6 meses. Vinho vendido no ano seguinte a colheita, consumo imediato;
  • Crianza – mínimo de 6 meses em carvalho (exceto Rioja e Ribera del Duero – 12 meses). Comercialização depois de 2 anos;
  • Reserva – mínimo de 12 meses em carvalho. Comercialização depois de 3 anos;
  • Gran Reserva – mínimo de 18 meses em carvalho (exceto Rioja e Ribera del Duero – 24 meses). Comercialização depois de 5 anos, com mínimo de 36 meses em garrafa

Dois exemplos de vinhos espanhóis com classificação por tempo de envelhecimento, ambos da bodega Muriel, o Eguia e o Finca del Villa:

 

 

Atenção para o estilo de cada produtor, alguns podem ser mais austeros e outros modernos com vinhos de consumo imediato.

Saúde!

 



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