Restaurantes

Arrisque-se!

Por Mariana Morgado*

Certamente vocês já tiveram, pelo menos uma vez, a experiência de combinar vinho com comida. É sobre essa deliciosa experiência que gostaria de falar. Voltemos um pouco no tempo. Imaginemos os vinhos e a gastronomia há 500 ou 800 anos.

O mundo dos vinhos era praticamente restrito à Europa. Na gastronomia, muitos dos ingredientes que hoje conhecemos não eram disponíveis. As técnicas de preparo dos alimentos eram ainda mais rudimentares. Nessa época, os recursos para viajar e para transportar alimentos e vinhos de um lugar a outro eram escassos. Também as condições de armazenagem eram restritas. Portanto, foi natural que o vinho de determinada região fosse combinado com a culinária da própria região. Por conta disso, e aliado a muita tentativa e erro, surgiram o que chamamos de harmonizações clássicas, como Chablis (foto) e ostras, Bourgogne Rouge e bouef bourguignon, roquefort e Sauternes, Barolo e brasato, Asti e morangos, ou as mais simples, como carne vermelha com vinho tinto, carnes brancas e pratos leves com brancos, e assim por diante.

Hoje, o mapa da gastronomia mundial é gigantesco. Nas grandes cidades, você encontra toda sorte de culinárias de diferentes origens, da Europa, da Ásia, das Américas etc. O mesmo acontece com o mapa de vinhos – imagine você, hoje se produz vinhos até na China!

Tentativa e erro

Uma parte importante da criação dessas combinações vem de algo simples: a tentativa. E, claro, junto à tentativa vem o erro. Por isso, muitos preferem seguir à risca as recomendações dos especialistas, deixando de lado justamente o aspecto mais divertido deste processo: desfrutar do prazer de beber e comer bem, criar e testar novas combinações e aproveitar a companhia.

Eu, por exemplo, me formei em gastronomia. O que, combinada à paixão pelos vinhos, acabou me dando boas referências e certa coragem de me arriscar entre ingredientes, preparos inusitados e vinhos fora da regra. Mas o mais importante não vem disso. Filha de português e italiana, pode imaginar que o vinho faz parte da minha vida praticamente desde o berço. Nos almoços de domingo, era comum as crianças beberem vinho em copinhos pequenos, misturado com refrigerante.

As regras e os rituais de serviço de vinho eram poucos, usávamos as taças, ou copos, que tínhamos disponíveis. Afinal, o ritual que realmente importava era o de estar com a família, comendo e bebendo com qualidade e em boa companhia. Com o tempo, acabei perdendo o medo de errar. O medo de não aproveitar bem a comida ou vinho, caso a combinação não dê certo.

Os brasileiros só passaram a interagir com o vinho a partir da colonização dos povos europeus. Não nascemos com essa cultura arraigada, portanto é natural que nos apeguemos a regras, buscando correr menos riscos. Mas, sendo um povo que tem um pouquinho de muitos povos, temos tudo para nos aventurar pelo mapa enogastronômico e viver experiências divertidas e deliciosas.

Por isso, a mensagem que deixo é: arrisque-se! Se não der certo, não tem problema, coma primeiro e beba depois, ou o contrário. Com um bom vinho, uma boa comida e, principalmente, boas companhias, não existem erros. Dar errado é sempre uma boa notícia, pois abre possibilidades de novas aventuras. Harmonize o vinho, a comida, a companhia e divirta-se mais!

*Graduada em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, sommelière pela ABS-SP, Advanced Level e Educator Programme Wine & Spirits.

 

Artigo publicado originalmente por Winebrands Brasil na edição número 7 da revista “Wine Not?”.



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