Viagem

Sob o sol da Toscana… A Sangiovese!

Por Mariana Morgado*

Quando estreou o filme Sob o Sol da Toscana, baseado no livro homônimo de Frances Mayes, eu tinha acabado de entrar na faculdade de gastronomia e iniciado meus estudos sobre vinhos. O livro é muito legal e o filme supersimpático. Ao término de ambos, estava apaixonada pela Toscana. Na faculdade tive a sorte de ter como professor de enologia uma figura ímpar, o Dr. Daniel Pinto. Quando falava sobre a Itália, seus olhos brilhavam. E quando discorria sobre a apaixonante Toscana, cantava trechos de óperas para ilustrar a riqueza cultural dessa linda terra. E a aula contemplava não apenas os vinhos e uvas características, mas também a gastronomia local. Imaginem como isso amplificou minha paixão por essa região!

Toscana vem de Tuscia, a terra dos etruscos, um povo apaixonado por vinho. Primeiro eles, depois os romanos, outro povo apaixonado pelo fermentado de uvas, foram responsáveis por propagar a cultura do vinho e da uva pela Itália. A Itália tem muitas espécies de uvas autóctones, originárias de suas regiões. E na Toscana reina a Sangiovese. Um dos vinhos mais emblemáticos da Toscana é o Chianti Classico. Naquela época, há quase 15 anos, meu humilde conhecimento sobre Chianti limitava-se aos vinhos de garrafinhas gordinhas com o fundo forrado por um cestinho de palha, que fi cavam penduradas nos tetos das cantinas italianas do bairro paulista do Bexiga. Mais adiante, descobri o que são de fato Chiantis e, afortunadamente, conheci a Sangiovese. Ah, a Sangiovese! Chianti é um tipo de vinho e também uma região, uma denominação de origem, uma das mais antigas e tradicionais da Itália.

O vinho, elaborado principalmente com uvas Sangiovese, é praticamente sinônimo de vinho italiano. Ainda na Toscana, existem variações da uva Sangiovese, que chamamos de “clones”, que melhor se adaptaram em outras zonas, como é o caso da Brunello (ou Sangiovese Grosso) na região de Montalcino e da Prugnolo Gentile, na zona de Montepulciano.

Além dos vinhos elaborados exclusivamente com Sangiovese, existem também aqueles em que são mescladas outras variedades italianas ou então com a francesa mundialmente conhecida, Cabernet Sauvignon. Quando a italianinha Sangiovese conheceu a francesinha Cabernet, foi amor à primeira vista! E frutos desse amor, nasceram os Super Toscanos, os vinhos “fora da lei” da Toscana.

Sou fã de carteirinha dessa uva e, claro, de seus vinhos. Certa vez entrei numa discussão sobre Chianti e Sangiovese, que terminou em uma degustação de rótulos toscanos, com pizza, macarronada, embutidos e muita, muita alegria. Quem ganhou? A Sangiovese, claro.

Que sem muito esforço se fez conhecer e ganhou mais fãs. Se você ainda não conhece essa uva e seus maravilhosos vinhos, proponho uma experiência: Pèppoli Chianti Clássico, Marchese Antinori Chianti Classico Riserva, Badia a Passignano Chianti Classico Riserva e, para fechar com chave de ouro, Tignanello, o Super Toscano mais conhecido do mundo.

Compre uns queijos, um bom salame e prosciutto crudo (presunto cru), pão italiano e comece a “discussão” com o Pèppoli e o Marchese. Enquanto a briga esquenta, aproveite para ferver a água e cozinhar a pasta. Prepare um suculento ragu de ossobuco com tomates bem maduros. Neste momento, a briga já terá se aproximado do ápice, então é hora de comer e convidar os “bons de briga”, Badia e Tignanello, para a batalha. Então meus amigos, vocês também se renderão às apaixonantes facetas da Sangiovese.

* Artigo da sommelière Mariana Morgado originalmente publicado por Winebrands na versão impressa de Wine Not? 

 



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