Enologia

A exuberância da Riesling

Texto e fotos Johnny Mazzilli*

Variedade branca originária da Alemanha, onde seu cultivo regular teve início por volta do ano 1400. Mas já era amplamente conhecida pelos romanos, que a cultivavam nos vales de Mosel e do Reno. Hoje, a Riesling está presente em diversos países, devido às suas qualidades e grande adaptabilidade. Bons exemplos são vinhedos nos Estados Unidos e na França, além de África do Sul, Austrália, Chile e Nova Zelândia, territórios distintos em diferentes continentes, onde essa variedade nobre e de acidez sempre elevada pode se apresentar complexa e exuberante.

É, sem dúvida, uma uva virtuosa e conhecida por sua grande longevidade. Em 1961, uma garrafa de Riesling com presumíveis 420 anos foi aberta e o vinho ainda preservava alguma estrutura. Já foi considerada uma casta de segunda qualidade, mas a variedade há muito tempo foi reabilitada e nos dias de hoje parece viver uma espécie de renascimento mercadológico, com grande exploração de suas potencialidades. Assim como preserva muito bem as características varietais, essa uva também é pródiga em expressar as particularidades do terroir.

Muito aromática, é perfeitamente adaptada a climas frios, como Alemanha, Áustria e Suíça, mas também se mostra exuberante no calor australiano, onde apresenta características muito particulares. É a principal variedade da Alemanha, onde se encontram mais de 60 variedades de clones. É, ainda, uma casta eclética: produz vinhos secos de extraordinária qualidade, bem como meio doces e até muito doces. Pode ser atacada pelo fungo “Botrytis cinerea” ou ser colhida congelada (eiswein), e em ambos os casos resultam em vinhos de sobremesa ricos e complexos.

Washington e Oregon são estados norte-americanos onde essa uva vem surpreendendo por sua crescente expressão. Relativamente fácil de cultivar, apresenta cachos médios, bagos pequenos e coloração verde amarelada. Normalmente se apresenta com alta acidez, açúcar reduzido e algum amargor. Seus melhores vinhos são varietais, e os melhores solos são calcários e graníticos.

* Artigo publicado originalmente por Winebrands Brasil na edição número 5 da revista “Wine Not?”. 



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