Sommelierie

Os vinhos e a hierarquia de suas siglas

Tudo começou no século XXVIII, quando Portugal decidiu controlar a produção e a comercialização de seu vinho do Porto, delimitando áreas de plantio e criando o que hoje conhecemos por denominação de origem. Desde então, em momentos diferentes e com critérios próprios, o resto do mundo, sobretudo a Europa, passou a fazer o mesmo.

Atualmente, o que se vê é uma quantidade interminável de siglas que determinam não apenas a procedência mas, também (indiretamente!) a qualidade de um vinho.

Além das denominações, alguns países, principalmente a França, possuem classificações que expressam nobres terroirs, o que inclui os Premier Cru e Grand Cru da Borgonha, por exemplo.

Para te ajudar na hora da escolha, reproduzimos aqui a hierarquia das denominações de origem de vinhos de alguns dos principais países vitivinícolas do mundo e peculiaridades de cada país.

Velho Mundo

ALEMANHA

  • Tafelwein (vinho de mesa)
  • Landwoin (vinhos regionais)
  • Qualitatswein bestimmter Anbaugebite ou QbA (vinho de qualidade de região determinada)
  • Qualitatswein mit Pradikat ou QmP (vinho de qualidade com predicados)*

* Eles se subdividem nestes seis grupos, do menor para o maior, conforme ponto de maturação das uvas e açúcar residual: Kabinett (Reserva), Spatlese (Colheita tardia), Auslese (Colheita selecionada), Beerneauslese (Colheita de grãos selecionados), Trockenbeerenauslese (Colheita de grãos secos selecionados) e Eiswein (Vinho do Gelo).

ESPANHA

  • Vino de Mesa (VdM)
  • Vinos de la Tierra (VdlT)
  • Vino di Callidad com Indicación Geográfica (VCIG)
  • Denominacíon de Origen (DO)
  • Denominacíon de Origen Calificada (DOC)
  • Denominacíon de Origen de Pago (DO Pago)*

* Pago seria uma “paraje” (em tradução livre, um local em zona rural) com microclima e terroir específicos, distintos de outras áreas de seu entorno, capaz de gerar vinhos singulares e de alta qualidade. A vinícola Marques de Griñon foi a primeira a receber do governo da Espanha, em 2002, a Denominação de Origem Pago. No ano seguinte, este prêmio foi confirmado pela União Europeia, convertendo Valdepusa no primeiro domínio espanhol a receber um reconhecimento concedido apenas a icônicas vinícolas, como Romanée-Conti (Borgonha) e Sassicaia (Toscana).

FRANÇA*

  • Vin de France
  • Indication Géographique Protégée (IGP)
  • Appellation d’Origine Protégée (AOP)

* Até 2012, as denominações adotadas na França eram Vius de Table (vinho de mesa), Vins de Pays (vinhos regionais), Vins Délimités de Qualité Supérieure (VDQG) e Vins d’Appellation d’Origine Contrôlée (AOC)

Expressão de terroir

Na França, além das denominações de origem, existem classificações específicas de cada região, que reproduzimos a seguir, sempre daquela de menor qualidade para a de maior qualidade.

Alsace

  • Regional (Alsace Appellation Contrôlée/Protégée)
  • Grand Cru

Beaujolais

  • Regional (Beaujolais Appellation Contrôlée/Protégée)
  • Villages (Comunal)
  • Cru

Bordeaux

  • Regional (Appellation Bordeaux Contrôlée/Protégée)
  • Bordeaux Supérieur
  • Cru Bourgeois
  • Grand Cru Classé

Borgonha

  • Regional (Bourgogne Appellation Contrôlée/Protégée)
  • Village (Comunal)
  • Premier Cru
  • Grand Cru

Champagne

  • Regional
  • Premier Cru
  • Grand Cru

Côtes de Provance

  • Regional (Côtes de Provance Appellation Contrôlée/Protégée)
  • Cru Classé

Vale do Rhône

  • Regional (Côtes du Rhône Appellation Contrôlée/Protégée)
  • Côtes du Rhône-Villages
  • Côtes du Rhône-Villages mais nome da “commune”
  • Cru

HUNGRIA

  • Kulonleges Minoségu bor
  • Minoségi bor
  • Asztali bor

ITÁLIA

  • Vino da Tavola (VDT)
  • Indicazione Geografica Tipica (IGT)*
  • Denominazione di Origine Controllata (DOC)
  • Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG)

* Alguns produtores abriram mão de seguir as regras de DOC e DOCG para aperfeiçoar seus vinhos. Por isso é possível encontrar vinhos IGT com qualidade superior ou equivalente à de muitos DOCG, como é o caso dos supertoscanos, cujas vinícolas abdicaram da tradição, mas incorporaram uvas francesas e novas técnicas de produção.

PORTUGAL

  • Vinho de Mesa (VM)*
  • Vinho Regional (VR)
  • Indicação de Proveniência Regulamentada (IPR)
  • Denominação de Origem Controlada (DOC)

* Não confundir com vinho de mesa do Brasil, feito com uvas não viníferas

Novo Mundo

ÁFRICA DO SUL

  • Wine of Origin (WO)
  • Geographical Units (GU)

ARGENTINA

  • Indicação de Procedência (IP)
  • Indicação Geográfica (IG)
  • Denominação de Origem Controlada (DOC)

CHILE

  • Vinos de mesa
  • Vinos sin Denominacion de Origem
  • Vinos com Denominacion de Origem (DO)

ESTADOS UNIDOS

  • American Viticultural Areas ou AVAs (áreas americanas de viticultura)*

* Nome do produtor no rótulo é mais importante do que a área delimitada pelo governo

NOVA ZELÂNDIA

  • Geographic Indications (GIs)

URUGUAI

  • Vino de Mesa
  • Vino Fino ou Vino de Calidad Preferente (VCP)



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