Regiões

As diferentes cores do Vinho Verde

Por Gustavo Cunha

Você sabe o que é Vinho Verde? A resposta mais objetiva seria Vinho Verde é denominação de origem (DOC), e não tem relação com maturidade das uvas, caraterísticas de vinho ou estilo de vinificação. Ainda assim, há quem associe Vinho Verde somente a um tipo específico de vinho: de cor pálido-esverdeada, leve e refrescante, com a chamada agulha, que nada mais é que a presença de uma pequena quantidade de gás carbônico a lhe conferir um toque levemente frisante.

Para nosso deleite, no entanto, os Vinhos Verdes fazem parte de um universo muito mais amplo! Ele pode ser branco, rosé, tinto ou até mesmo espumante e, para ser classificado como tal, deve ser produzido exclusivamente em uma região específica e geograficamente demarcada de Portugal.

Conhecida como Entre-Douro-e-Minho, a região demarcada dos Vinhos Verdes é a maior de Portugal e cobre a porção noroeste do país. Segundo documentação histórica, a designação “Vinho Verde” teria surgido no século XVII, e a versão mais aceita é a de que o nome foi inspirado pelas lindas paisagens verdejantes que cobrem toda a região.

As condições climáticas e de solos definem o estilo elegante, leve, de frescor vibrante, bem como predominantes notas frutadas e florais. A região que apresenta significativa variedade de uvas viníferas autorizadas pelo órgão regulador local das normas de cultivo, vinificação e comercialização, abrange nove sub-regiões, cada uma delas propícia e recomendada pela entidade para o cultivo de uma ou mais castas.

Tríade

O rápido crescimento qualitativo dos Vinhos Verdes se iniciou há aproximadamente 20 anos, com o emprego de novas tecnologias aliadas a uma nova geração de enólogos tenazes e ousados. Apesar da variedade de castas, a região tem vocação para os brancos e três uvas se destacam na produção local, a Alvarinho, a Loureiro e a Avesso, cada uma em seu “vale”.

A nobre uva Alvarinho é protagonista em Monção e Melgaço, que produzem vinhos bastante aromáticos e muito equilibrados, em que esta uva brilha sozinha. A uva Loureiro, de elevada qualidade, se destaca na sub-região de Lima, onde expressa melhor seus intensos aromas florais, frutados e elevada acidez. Por fim, a Avesso, cujo cultivo concentra-se próximo à região do Douro, resulta em vinhos aromáticos com frutado dominante e notas florais, sabores intensos e harmônicos.

Covela

Faço questão de destacar aqui que a Avesso é utilizada com maestria pela Quinta de Covela, assim como Arinto, frequentemente usada em cortes, que produz vinhos frescos, com seus frutados cítricos, maçã, pera e notas florais.

A Quinta de Covela está situada nas encostas do rio Douro, na zona limítrofe entre a Região dos Vinhos Verdes e a região do Douro. Desde os anos 1980, investe no cultivo das chamadas castas internacionais como Chardonnay, Cabernet Sauvignon e outras, além é claro das castas portuguesas, com destaque para a tinta Touriga Nacional. Também foi o primeiro produtor biodinâmico certificado em Portugal.

Ao longo do tempo, essa peculiaridade e espírito inovador transformaram a Quinta de Covela em um produtor de características singulares. Em 2012, a vinícola iniciou uma nova fase, com maior aposta nas castas portuguesas, especialmente a Avesso, que é típica da sub-região onde está localizada.

 

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