Sommelierie

Descomplique

Por Mariana Morgado*

Apaixonados por vinho, um grupo de amigos hi-tech decide fazer um curso para conhecer melhor este fascinante universo. Munidos de supertelefones, com supercâmeras etc. e tal, o grupo desiste do curso, já que todas as informações para aprender sobre regiões, tipos de uvas, tipos de vinhos e harmonização estão ali, na ponta do dedo, em sites de referência e aplicativos, que prometem dar todas as dicas para acertar na hora H. No restaurante, a turma faz “bonito” na escolha do vinho. Claro, como errar se você está conectado? As pessoas chegam ao restaurante e colocam as “armas” na mesa, pedem a carta de vinhos virtual ao garçom, porque, afinal, com tanta tecnologia, quem é que precisa de sommelier? E o impasse começa: “Oh! Por onde começar? Pelo vinho ou pela comida?”. Com a supercarta de vinhos armazenada em um supertablet, eles se deparam com o mapa-múndi à sua disposição: “Minha mãe mandou escolher este daqui”.

O mapa da França está aberto. “Bordeaux? Borgonha? Champagne? Hummm… Bordeaux!”. E lá está a lista completa dos vinhos disponíveis no restaurante, com fotos, fichas técnicas completas e tudo o que tem direito. Dedos ágeis passeiam pelas opções: “Vamos querer tinto ou branco? Tinto, né? Leve, médio corpo, encorpado? Ah! Superpontuado?”. Descem até a harmonização e pedem para o garçom o menu, afinal, agora começa a outra parte da aventura: encontrar os ingredientes que a harmonização do vinho sugere como ideais. “Humm, aqui diz cordeiro, o que tem de cordeiro no cardápio? Mas é feito com alecrim? Aqui diz que se for hortelã não fica bom”. Na dúvida, sacam o “guru” do bolso: “Você pode nos trazer as garrafas desses três vinhos?”. O garçom volta com as garrafas e os flashes começam: “Deste, a avaliação é ótima! Este o pessoal que tomou disse que não é bom. Ah! Esse custa mais barato no outro restaurante! Garçom, que absurdo! Este restaurante está roubando nos preços dos vinhos!”. Papo vai, papo vem, muitas fotos, scans, buscas, tudo vale quando a ideia é acertar na escolha do prato e do vinho…

Quase uma hora depois, muitas garrafas indo e vindo da adega, três garçons deprimidos, tablets, supercelulares e superaplicativos, a turma hi-tech apaixonada por vinho está comendo e postando fotos no Instagram, notas no aplicativo, críticas no Facebook… Ufa!

Caros leitores, por favor, eu gostaria de deixar aqui um apelo: relaxem! Aproveitem o momento e a companhia. Tirem fotos, sim, para recordarem depois o
excelente jantar, das risadas… do vinho! A tecnologia é sensacional e ajuda muito, mas o vinho, a harmonização, comer, tudo é muito mais lúdico do que os gadgets. A carta virtual ajuda, as informações on-line ajudam, mas o sommelier e o chef também, eles trabalharam para escolher os vinhos e os pratos do menu para oferecer a vocês o melhor. Descompliquem e brindemos aos bons momentos!

 

* Graduada em Gastronomia pela Universidade Anhembi Morumbi, sommelière pela ABS-SP, Advanced Level e Educator Programme Wine & Spirits. Texto originalmente publicado por Winebrands na edição 6 da versão impressa de “Wine Not?”.



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