Sommelierie

Devo me orientar por guias de vinhos?

Por Arthur Azevedo*

Será que o propalado “gosto do brasileiro” invalida a opinião abalizada de críticos internacionais? Será que é necessário ser brasileiro para opinar com autoridade sobre vinhos? O assunto é polêmico e desperta paixões. Quem tem razão? Atribuir notas sobre vinhos, seja de forma quantitativa, genial (ou diabólica) invenção do crítico americano Robert Parker, ou sob a forma de tacinhas, corações ou outros símbolos gráficos é sempre motivo de controvérsias e, em algumas oportunidades, fonte de acirradas polêmicas.

Tal fato deriva da percepção de que a avaliação de um vinho tem forte conotação subjetiva, embora seja indiscutível que alguns críticos conseguem a mágica de abstrair seu gosto pessoal e, desta forma, não contaminar a avaliação. Em nosso país, fala-se muito sobre o “gosto do brasileiro” e sobre as preferências dos consumidores por determinado estilo de vinho, ou de determinadas origens destes vinhos.

Guia Descorchados, com opiniões do crítico chileno Patricio Tapia

Frequentemente diz-se que o brasileiro prefere vinhos mais frutados e descompromissados, com pouca estrutura tânica e fáceis de beber, com ampla vantagem dos tintos sobre os brancos. Isso, em nossa avaliação, é uma simplificação bastante discutível de um tema tão complexo e amplo. As opiniões de críticos de fora do Brasil ou, melhor ainda, de um painel de especialistas de um determinado país, como acontece na prestigiosa revista inglesa “Decanter”, geralmente veiculadas em revistas de grande circulação, sites ou em abrangentes guias de vinhos são uma inestimável fonte de informação e nos ajudam a formar uma ideia bastante aprofundada sobre os vinhos daquele país.

Crítico ‘local’

A vantagem de um crítico “local” é a possibilidade de se manter em contato permanente com todos os elementos que fazem parte da cadeia de produção dos vinhos. Assim, estes profissionais, desde que providos dos indispensáveis pré-requisitos de profundo conhecimento sobre vinhos e degustação, além de irrepreensível idoneidade e independência para emitir sua opinião, possuem grande facilidade para visitar as diferentes regiões vinícolas de seu país, e de conhecer os terroirs específicos, além de poder trocar ideias com os enólogos e, acima de tudo, degustar uma imensa gama de vinhos, de vários estilos e diferentes uvas.

Dessa maneira, recolhem importantes subsídios para formar sua opinião e emitir pareceres e avaliações acuradas sobre os vinhos, propiciando aos consumidores uma orientação relativamente segura para a aquisição dos mesmos. Uma boa forma de não se perder nesse emaranhado de informações é procurar saber quais são os principais críticos de cada país, ou buscar a opinião de críticos de países não produtores, dos quais desponta como grande favorito a Inglaterra, fonte segura de informações confiáveis sobre vinhos.

Opiniões de críticos como Jancis Robinson, Jamie Goodie, Clive Coates e Hugh Johnson, entre outros, e guias de vinhos como Veronelli (Itália), Peñin (Espanha), Platter’s (África do Sul), Ruy Falcão e João Paulo Martins (Portugal) e James Hallyday (Austrália e Nova Zelândia), muitos deles hoje disponíveis em aplicativos para os tablets e smartphones, são instrumentos valiosos para nos ajudar a encontrar os ótimos vinhos hoje disponíveis em todo o mundo. Consulte-os, sem preconceitos, e amplie seus horizontes nesse vasto e fascinante mundo dos vinhos.

Artigo originalmente publicado por Winebrands na edição número 6 da revista “Wine Not?”. Arthur Azevedo é diretor da
Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo (ABS-SP) e editor do website Artwine (www.artwine.com.br)



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