Enologia

Merlot, sedosa e aveludada

Por Johnny Mazzilli*

É uma das variedades mais difundidas em todo o mundo. Durante muito tempo foi chamada depreciativamente de “a outra tinta de Bordeaux”, em comparação com a casta Cabernet Sauvignon, que até então reinava soberana. O surgimento dos vinhos do novo mundo, pelos idos de 1980, alterou essa percepção.

Originária da região de Bordeaux, a Merlot descende da Cabernet Franc, é meia-irmã da Carménère e da Cabernet Sauvignon. Essa semelhança com a Carménère foi responsável pela confusão em torno dos vinhedos chilenos nos anos 1980. Seus registros oficiais são relativamente recentes, datados de 1784. Segundo pesquisadores, seu nome deriva do nome de um pássaro chamado Merlau, que no passado era comumente avistado se fartando em seus cachos. É a uva mais cultivada em Bordeaux e a terceira na França, atrás somente da Carignan e Grenache.

Disseminou-se de tal forma, que hoje o mundo tem mais de 250 mil hectares cultivados dessa variedade controvertida e de grande prestígio. O renomado enólogo Michael Rolland diz que a Merlot deve ser colhida mais tarde possível, permitindo maior concentração de açúcares e maturação fenólica. Outra corrente, capitaneada por Christian Moueix e Jean-Claude Berrouet (Château Petrus), afirma que a colheita tardia prejudica a acidez, valoriza os aromas frutados, tornando os vinhos mais pesados e carnudos, em detrimento do frescor, da elegância e longevidade.

Corte bordolês

A Merlot apresenta cachos de formato cilíndrico, compostos por bagos de tamanho médio e de cor azul violáceo, que resulta em vinhos de tons rubi-violáceos quando jovens, evoluindo para o rubi-atijolado quando envelhecidos. Tem a casca fina, pigmentação e acidez médias. Por outro lado, apresenta mais açúcares e, consequentemente, desenvolve mais álcool.

É uma casta de maturação rápida – em Bordeaux ela amadurece antes do Cabernet Sauvignon. Adapta-se melhor a climas mais frios do que quentes e a solos mais áridos e rochosos do que o Cabernet Sauvignon. Juntas, Merlot e Cabernet Sauvignon formam o corte bordalês, provavelmente o blend mais tradicional do mundo.

Os aromas primários mais comuns são de frutas escuras, como groselha e ameixa, notas herbáceas e especiarias, tais como noz moscada e canela. Quando o Merlot amadurece em barricas, surgem os aromas secundários de caramelo, baunilha, torrefação, cedro e notas de defumação. Em boca se mostra sedoso e aveludado, com acidez e álcool equilibrados, corpo médio e taninos redondos. Num corte com outras uvas, o papel da Merlot é deixar o vinho mais redondo
e dar elegância ao conjunto.

Curiosidade: há uma rara variedade de Merlot branca, fruto do cruzamento da Merlot com a Folle Blanch, a uva utilizada na produção do conhaque.

 

*Artigo publicado originalmente por Winebrands Brasil
na edição número 7 da revista “Wine Not?”.

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