Enologia

O que significa D.O.C.?

Por Giuliano Agmont

O universo do vinho é pródigo em siglas. Elas estão em quase todos os grandes rótulos. Compreendê-las faz parte de um irresistível ritual de passagem de quem quer se aprofundar no universo vitivinícola, de preferência com uma taça na mão.

Entre as mais nobres e resplandecentes siglas está aquela estampada em vinhos que você adorou e não entendeu muito bem por quê. Sim, estamos falando da expressão “D.O.C.”, que quer dizer, em português, Denominação de Origem Controlada.

Trata-se de um sistema de denominação que está tradicionalmente ligado a uma região produtora de vinho específica e delimitada, que segue algumas regras definidas pela legislação local. Em outras palavras, a designação DOC indica que um vinho foi produzido em local determinado seguindo procedimentos previamente estabelecidos.

Tradição e identidade

As regras variam de um país para outro, mas o objetivo é sempre o de preservar as tradições e a identidade de uma região produtora de vinho. Elas estabelecem desde a delimitação geográfica dos vinhedos, passando por técnicas de plantio, irrigação, cultivo e colheita da uva, até os tipos de castas que podem ser incorporadas à produção do vinho naquele local, os percentuais de cada uva no caso dos blends, os limites de produtividade por hectares ou por planta, a graduação alcoólica, as tecnologias de vinificação e assim por diante.

Os portugueses são os responsáveis pela primeira “Denominação de Origem” oficial da qual se tem notícia. Ela surgiu precisamente para proteger o Vinho do Porto, ainda no século XVIII, depois da criação pelo então primeiro-ministro português, Sebastião José de Carvalho e Melo – mais conhecido por “Marquês de Pombal” –, da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, cuja primeira obrigação foi delimitar e reconhecer as áreas de produção de vinhos do Douro.

Em pouco tempo, surgiam normas que controlavam a produção das uvas, o preço de venda delas para os produtores, a quantidade máxima de produção, a qualidade dos vinhos e, principalmente, a sua comercialização.

Denominações pelo mundo

Apesar do pioneirismo português, hoje quase todos os países produtores de vinhos têm áreas com denominação de origem controlada, muitas vezes com variações de nomes.

Na França, por exemplo, os vinhos são uma fonte inesgotável de informações, como se vê em seu detalhado e complexo sistema de regionalização e controle de vinhos, de 1930, chamado de Appellation d’Origine Contrôlée (AOC). Para se ter ideia de sua complexidade, existem AOC que são subdivisões de outras AOC, como é o caso da Borgonha, que é uma AOC macro e abriga AOC’s menores.

Já na Itália há também a DOCG, que significa Denominazione di Origine Controllata e Garantita e representa um estágio acima do DOC, ou seja, ainda mais rigor e precisão na produção. Enfim, é um tema vasto e, para os mais interessados, tem extensa literatura.

A seguir, listamos alguns dos principais países produtores e exemplos de regiões com denominação de origem. Importante ressaltar aqui que países como Itália, França, Espanha, Portugal e Estados Unidos possuem dezenas ou até centenas de DOC’s.

ITÁLIA – Denominazione di Origine Controllata (DOC)

Exemplos: Chianti e Brunello/DOCG (Toscana), Barbera e Barolo (Piemonte) e Montepulciano (Abruzzo)

ESPANHA – Denominación de Origen (DO)

Exemplos: Rioja e Dominio de Valdepusa (propriedade reconhecida como DOC)

PORTUGAL – Denominação de Origem Controlada (DOC)

Exemplos: Dão, Douro e Vinho Verde

FRANÇA – Appellation d’Origine Contrôlée (AOC)

Exemplos: Alsácia, Borgonha e Cotês du Rhône

ESTADOS UNIDOS – American Viticultural Area (AVA)

Exemplos: Columbia Valley (Washington), Willamette Valley (Oregon) e Napa Valley (Califórnia)

ARGENTINA – Denominación de Origen (DO)

Exemplo: Luján de Cuyo

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