Enologia

Pinot Noir e toda sua nobreza

Por Johnny Mazzilli*

Uma das castas mais nobres, complexas e elegantes que existe. Não há controvérsia a respeito de sua região de origem, a mítica Borgonha, na França. Os primeiros registros de sua existência são dos gauleses e remontam ao longínquo ano de 150 a.C. Temperamental e de difícil adaptabilidade, requer um delicado equilíbrio climático: clima fresco, umidade moderada, amplitude térmica média e, sobretudo, trato cuidadoso no vinhedo.

Se o excesso de frio empalidece seus sabores, muito calor causa amadurecimento excessivo e prejudica a elegância, sua característica mais marcante e desejada. De baixo rendimento, a Pinot Noir tem cachos pequenos de cor violeta intenso, bagos delicadamente pequenos, redondos e de casca fina. Apresenta poucos taninos e bem menos pigmentação do que outras variedades tintas. Dela se originaram outras uvas, como a Pinot Gris e Pinot Blanc, e estudos recentes de DNA sugerem que pelo menos outras 16 uvas têm em sua origem a Pinot Noir, como Chardonnay, Malbec, Muscadet e Gamay, esta última certamente uma mutação da Pinot Noir.

Pinot Noir deu origem a pelo menos 16 outras uvas, sugerem estudos recentes de DNA

O cultivo de Pinot Noir fora da França é relativamente recente. Há menos de 30 anos foi plantada na Nova Zelândia, na Austrália, nos EUA e no Chile, lugares onde ela vem apresentando notável evolução. A Nova Zelândia é, depois da França, o país em que esta variedade apresenta os resultados mais interessantes. Outras regiões promissoras são os estados americanos do Oregon e da Califórnia.

Não podemos deixar de mencionar a belíssima região italiana da Úmbria, onde é chamada de Pinot Nero e rende vinhos de grande personalidade. Os vinhos bem-sucedidos elaborados com esta casta apresentam boa estrutura, corpo leve ou médio e notável complexidade. A passagem por madeira é bem-vinda, porém deve ser feita com muito cuidado, a fim de não arruinar sua delicadeza. É também uma das castas mais empregadas na produção de grandes champagnes, assim como a Chardonnay.

Para “entender” um vinho de Pinot Noir é preciso compreensão diferenciada da que temos a respeito de outros vinhos tintos. De modo geral, os aromas primários mais reconhecíveis na Pinot Noir são de frutas vermelhas como cereja, morango e ameixa, florais como violeta e rosas e especiarias, como canela e açafrão. Com o tempo de guarda, podem evoluir para aromas mais complexos como couro, tabaco e amadeirados. Há vinhos de Pinot Noir prontos para beber assim que engarrafados, mas os melhores representantes dessa casta exibem suas melhores qualidades após alguns anos de guarda.

* Texto publicado originalmente por Winebrands na versão impressa de “Wine Not?” edição número 6.

Sommelier Winebrands sugere


Tama Vineyard Selection Pinot Noir (Anakena – Chile)

Excelente equilíbrio entre fruta, acidez e madeira. Aroma com presença perceptível de morangos e cereja. Em boca é delicado e com final persistente.

Villa Maria Private Bin Pinot Noir (Villa Maria – Nova Zelândia)

Vermelho-rubi intenso, aroma complexo e refinado, frutas negras maduras e delicado toque mineral. Muito elegante, com notas de especiarias e leve toque de carvalho.

 



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