Viticultura

Terroir, uma saborosa equação

De origem francesa e sem correspondente em outros idiomas, a expressão “terroir” pode ser definida como um conceito que engloba todas as características decisivas na formação da uva e sua vinificação. Ela se refere à relação estabelecida entre os diferentes agentes naturais de um local delimitado, associados à ação humana, que determina aspectos singulares ao vinho. Ou seja, é uma interação que se reflete na taça.

Como uma assinatura, esse conjunto de fatores de um terroir e a virtual impossibilidade de reprodução de todos eles em locais distintos definem e distinguem os vinhos do mundo e os tornam únicos e especiais. Influem no terroir o solo, o clima, a videira e a ação humana, cada um a seu modo.

A natureza e o homem

O solo, além de suportar as raízes, nutre e hidrata a videira. Terrenos com composições mais pobres geram uvas mais ricas, que originam vinhos mais estruturados. E vice-versa.

O relevo também importa. Áreas com declives, além de proteger as plantas de geadas e ditar a drenagem natural das águas da chuva, favorecem a incidência de luz do sol.

O clima determina a qualidade da casta. Boas amplitudes térmicas são sempre bem-vindas. O calor durante o dia favorece o amadurecimento da fruta enquanto o frio da noite garante o “repouso” das vinhas. No caso de regiões mais altas, com temperaturas médias mais baixas, a maturação da uva é mais tardia e tende a contar com maior acidez.

As chuvas influenciam igualmente no processo. O volume de água e a frequência com que ocorrem podem determinar o teor de açúcar da fruta. O mesmo se aplica à neblina ou à umidade vinda de rios ou mares. São todos fatores decisivos na formação da uva.

A intervenção humana é mais um fator que contribui para a classificação de um terroir. A distância entre as mudas de um vinhedo, a arquitetura das estruturas que sustentam as vinhas, o uso ou não de leveduras autóctones e os diferentes métodos de vinificação, determinados por um aprendizado – muitas vezes de gerações – de famílias de viniviticultores fazem parte desse processo que vai dar personalidade a um vinho e dar-lhe uma designação de origem (pode ser Denominação de Origem Controlada, Indicação Geográfica e por aí vai).

Equilíbrio sutil

Como em uma complexa equação matemática, grandes vinhos têm sua aura associada ao terroir. Não por acaso a expressão nasceu na Borgonha, na França, que por séculos elevou o respeito ao terroir ao nível máximo, isolando vinhedos para obtenção de vinhos muito distintos utilizando basicamente as mesmas uvas, a Pinot Noir e a Chardonnay.

Explorar e conhecer diferenças determinadas pelo terroir se revelam uma grande prazer. É uma forma de valorizar a diversidade e conhecer a história, a geografia e a cultura de forma sensorial, engarrafadas sob um grande rótulo. Se abrir para o diferente e atentar para as sutilezas de cada vinho dão ainda mais sentido para o hábito de degustar vinhos.

 

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